Câmara Municipal de

Hortolândia

20230401 Palestra psicologa lucianaCultura que Educa: palestra provoca reflexão sobre violências naturalizadas no cotidiano

A Câmara Municipal recebeu na manhã desta quarta-feira (01 de abril), por meio da Escola do Legislativo e da Presidência da Casa, mais uma importante ação de formação cidadã: a palestra “Cultura que Educa: o que aprendemos sem notar”, ministrada pela psicóloga e promotora legal popular Luciana Ramalho. O encontro trouxe à tona um debate necessário sobre como a violência contra as mulheres é, muitas vezes, naturalizada em situações aparentemente comuns do dia a dia.

De forma leve, acessível e ao mesmo tempo profunda, a palestrante convidou o público a refletir sobre elementos da cultura popular — como músicas de diferentes estilos, incluindo pagode, sertanejo e até canções infantis — que reproduzem comportamentos e narrativas de violência masculina contra as mulheres. Segundo ela, essas mensagens, quando repetidas sem reflexão, contribuem para a normalização de atitudes abusivas.

Luciana destacou que esse processo é semelhante ao que ocorreu com o racismo ao longo dos anos. “Hoje já conseguimos reconhecer falas e atitudes racistas que antes eram naturalizadas. Isso foi construído socialmente e também vem sendo desconstruído. A questão da violência contra a mulher é a mesma coisa. Precisamos deixar de normalizar”, afirmou.

Durante a palestra, também foram apresentados os diferentes tipos de violência previstos na legislação e vivenciados por muitas mulheres:

  • Violência psicológica: ameaças constantes, humilhação pública ou privada, proibição de estudar ou trabalhar, controle excessivo e chantagem emocional.
  • Violência moral: xingamentos frequentes, acusações infundadas de traição e difamação da reputação da mulher.
  • Violência física: agressões como empurrões, socos, mordidas, estrangulamento e queimaduras, com ou sem marcas aparentes.
  • Violência sexual: estupro, inclusive dentro do casamento, imposição de atos sexuais e qualquer forma de coerção.
  • Violência patrimonial: destruição de bens, controle financeiro, retenção de documentos e danos a objetos pessoais.

Um dos momentos mais marcantes do encontro foi quando Luciana compartilhou sua própria história de vida, revelando ser sobrevivente de uma tentativa de feminicídio. Seu relato reforçou a urgência do debate e a importância de dar visibilidade a essas violências que, muitas vezes, começam de forma silenciosa.

A realização da palestra reforça o compromisso da Escola do Legislativo e da Presidência da Câmara em promover espaços de diálogo e conscientização sobre temas fundamentais para a sociedade. Discutir a violência contra a mulher em todas as instâncias — institucionais, educacionais e culturais — é essencial para a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária.

A iniciativa reafirma que a informação e a reflexão são ferramentas indispensáveis no enfrentamento à violência e na transformação de padrões culturais que já não podem mais ser aceitos.

ODS 5

 

ODS 05 - Igualdade de Gênero
A iniciativa está alinhada com a ODS 05 da ONU – Igualdade de Gênero, garantindo a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas.